Novamente uma velha ironia.
3:33 da manha foi quando consegui ligar meu computador.
Eu tinha ido dormir meia noite, como um bicho de estimação é posto pra dormir, ou um cavalo é posto no estábulo quando suas “obrigações” já eram por aquele dia.
Não que alguém houvesse me dito para ir, foi pura submissão ligada à minha exaustão causada pelo retorno do lixo.
A noite...
Agora 3 e 37 da manha.
A hora que acordei, eu ouvi a cidade. Um ou outro barulho.
Ouvi a mulher que me defecou neste mundo que tanto odeio.
A noite não era ameaçadora assim, e o escuro do meu quarto era confortável.
Hoje estava opressor.
Eu nunca fui feliz. Nunca busquei felicidade, apenas meios de me manter calmo. A melhor maneira de me manter calmo, era eu não me sentir parte da escória humana.
Estou reduzido à sua insignificância humana agora, por um simples capricho de ter que acordar quando eu ia dormir.
O simples capricho que me faz ver o cara amarela sorrindo pra este país desgraçado tropical.
Foda-se, estivesse eu no frio da depressão cinza, como eu disse, nunca fui feliz, e eu conheço muito bem a torção da vida, e isto que sinto não é uma torção.
A noite antes era minha vida. Agora onde havia VIDA, no sentido humano moralista da palavra, eu durmo.
Isto para mim é inércia.
Isto é que é inércia.
Novos sentidos de vaziedade se levantam no agora, pois eu sei que aqui onde minha mente jaz, o Limbo do Vazio, é muito vasto, solitário e desolado.
E agora, no que já era antes vazio, se tira a calma de mente.
Não havia vida no período da luz.
O velho uivo suicida se levanta como sempre. Vänara, Vanmakt och Avsmak.
O silêncio da noite, não é mais onde minha mente ficava em silêncio, ponderação e contemplar.
O silêncio da noite, agora é o palco das míseras sinfonias de tristeza. Mourning Palace.
Mas não há pesar, neste palácio, como eu disse, no Limbo do Vazio, eu encontrei milhões de maneiras de pesar, milhões de maneiras de sofrimento, e milhões de maneiras de tristeza. Cada uma tão peculiar quanto a outra, e desta vez eu sou uma alma atormentada do Palácio da Tristeza.
“Hear the cries from the mourning palace. Feel the doom of the restless spirits, hear the cries from the mourning palace.
Feel the doom, of their haunting chants!
Eternal is their life in misery!
Eternal is their life in grief!”
Poderia ser este trecho musical uma descrição do Limbo do Vazio, mas neste umbral, há outras maneiras de se interpretar.
E agora eu vejo mais uma maneira. E outra.
Eu sempre escutei os gritos do Palácio da Tristeza. Sempre.
Mesmo quando eu não gritava junto deles, e mesmo no silêncio do uivo de agora eu os ouço. Mas o Vazio dentro do Limbo do Vazio, é consumidor e cruel.
Eu sinto a sina dos espíritos sem descanso, pois eu faço parte de seus gritos.
Eu sinto e ouço os gritos do Palácio da Tristeza.
Seria Ashkehria, se tivéssemos na condição humana, a Jieahn.
Mas é o Planeta Terra, e não há pior grilhão de desespero do que este mundo.
Nove meses antes do meu nascimento, estava condenado à nascer aqui. Qual foi meu crime? Eu não sei, talvez fosse existir.
“Abandoned in a Void of Nothingness
A chain of anger, a feather of despair!”
O infinito da existência. Fomos defecados neste mundo.
Poderia aqui ser o Limbo. Umbral, como for.
Qualquer condenação espiritual ligada a suicídio me faz gozar, diante do que este planeta representa.
Não que eu considere as condenações religiosas passíveis de preocupação, eu os detesto e cago em vossas faces, moralistas e falsos moralistas, pois eu desejo a morte de todos vocês.
Mas de fato, suas condenações falharam em me fazer temer os domínios da Morte, e não me fizeram valorizar as flatulências entrópicas irracionais da vida (no sentido racional da palavra agora, pois convenhamos que não tenho culpa em ser capaz de pensar melhor do que a natureza foi capaz de fazer... “Santa” arrogância).
No fim isto foi apenas mais um uivo suicida.
Desejo vossas mortes, como condenação, e a minha morte como libertação. Cada qual a sente como a própria consciência se reflete na face do Vazio do capuz do ceifador.
Por, Nihilinanis, ninguém mais ninguém menos que absolutamente Ninguém.